Sobre Nos

Em meados de 2009, foi criada a Central Veredas, entidade que não visa lucros, mas sim se organiza por meio de uma rede solidária e atividades artesanais, unindo diversas associações com nove núcleos de produção localizados nos municípios de Arinos, Bonfinópolis de Minas, Buritis, Natalândia, Riachinho, Sagarana/Arinos, Serras das Araras/Chapada Gaúcha, Uruana de Minas e Urucuia.

Os primeiros passos foram dados no final da década de 90 em função da atuação do Programa Artesanato Solidário – Artesol na região do Vale do Urucuia. Partindo de saberes ligados ao modo de vida local, o projeto buscou revitalizar e fortalecer a produção de artesanato tradicional. A partir de matérias primas e técnicas tradicionais, as artesãs foram orientadas e auxiliadas a tornar suas habilidades uma via real de geração de renda e melhoria da qualidade de vida.

Ao longo dos anos de atuação, a Central Veredas constituiu diversos tipos de parcerias e apoios institucionais e governamentais para a atuação em áreas que vão desde infraestrutura básica, como transporte de peças, divulgação e comercialização, à capacitação e sensibilização ambiental ao repasse de técnicas de manejo e sustentabilidade das matérias-primas utilizadas nas confecções das peças artesanaisEntretanto, acima de tudo, o que sustenta o compartilhamento destes fazeres, articulados pela Central Veredas, é uma vivencia e experiência em comum, em uma rede de sociabilidade regional que já estava estabelecida anteriormente em certo nível. Hoje são aproximadamente, 180 artesãos que produzem de acordo com sua essência, criatividade, inspiração, cada núcleo dispões de uma produção estruturada em rede, em que cada um é responsavél por um processo, seja fiação, tecelagem, tingimento, bordados, entalhe na fibra de buriti. Trata-se do artesanato tradicional, ou seja, técnicas adquiridas aos longos dos anos de pais para filhos com referencial de qualidade, experiência passada de geração por geração. 

Sob uma perspectiva de uma rede em que os artesão e seus objetivos se encontram entrelaçados, ao produzirmos uma manta tecida no tear manual e embalar em uma caixa trançada, é possível realizar o percurso inverso, passando de mão em mão, de saber em saber. È possível imaginar esse algodão depois de colhido viajando pelas estradas do sertão mineiro, carregado pelas fiandeiras até suas casas, sendo fiado nas entre-horas de seus dias, ao sons de seus cantos, recebendo tons naturais, advindo dos quintais de suas casas, das redondezas e do cerrado, sendo transformados em tecidos com formas e acabamentos diversos pelas tecelãs, enquanto, no caminhar de uma vereda, um artesão extrai o braço do buriti, que, ao serem trabalhados por suas mãos, encontram outra forma de vida e logo são emoldurados no bordados inspirados no cerrado que nas mão e agulhas da mãos calejadas dessas mulheres são transformadas em obra de arte. Por meio dos diversos objetos confeccionados pelos artesão do Vale do Urucuia pode-se realizar essas viagens quase indefinamente.


no "vão" do urucuia: fios e fibras que entrelaçam saberes